Guarda do Paraná tira jovens do mundo das drogas
O guarda portuário Vanderlei Nunes Macedo, de Paranaguá (PR), é o personagem principal desta reportagem especial sobre o Voluntário do Mês, seção nobre do PortoGenteque completa agora, em agosto, um ano no ar, trazendo ao internauta histórias especiais de pessoas que trabalham no setor portuário e, nos poucos momentos livres, ajudam ao próximo em atividades gratuitas voltadas à população carente.
O personagem deste mês, Vanderlei, trabalha como guarda no Porto de Paranaguá desde 1990. Casado e pai de 4 filhos, este paranaense de 44 anos nunca pensou em atuar em um projeto voluntário, tampouco ajudar a criar um e debruçar-se sobre ele dia e noite. Mas, há cinco anos, isso mudou. Em um de seus vários plantões noturnos na segurança do complexo portuário, ele observou uma cena comum aos olhos de muita gente: o vai-e-vem de prostitutas pelas avenidas portuárias.
Neste momento, Vanderlei percebeu que muitas daquelas mulheres usavam drogas e se prostituíam para fugir das dificuldades da vida, em uma busca pelo falso prazer. A partir de então, o guarda portuário passou a racionar de forma mais concentrada, lembrando de seus filhos e vendo o quanto esta situação normal aos olhos de muitos era, na verdade, uma coisa errada.
“A partir de então, minha vida mudou. Isso foi há cinco anos, quando passei a desenvolver um trabalho com dependentes químicos. Passei a conversar mais com o pessoal da minha igreja evangélica e os convenci da necessidade de abrirmos um abrigo para estas jovens e outros tantos rapazes que precisavam de um ombro amigo”.
Aí surgiu o Desafio Jovem Betel. Com a palavra de Deus e uma ajuda profissional de médicos voluntários, há três anos Vanderlei muda a vida de 80 pessoas em um abrigo que funciona no regime de internato. A falta de recursos é uma barreira muitas vezes quase intransponível, mas nem isso tira seu ânimo e vontade de mudar a realidade que o cerca.
“A maioria dos jovens que cai no terrível mundo das drogas o faz por causa das amizades, de um amigo que o chama para experimentar uma maconha. Daí para o resto é um pulo e não é fácil recuperar alguém. Até a própria família deixa a pessoa de lado. Eu não concordo com isso e, nas horas de folga, luto para virar esse jogo. Já vi pessoas com três idiomas e cursos superiores perderem o chão por culpa da droga e não quero isso para ninguém”.
O guarda portuário conta que, após três anos, o Desafio Jovem Betel já ajudou muita gente a reconstruir uma família. Entretanto, ainda há dificuldades com a falta de recursos para o pagamento do aluguel da casa e da chácara usadas no abrigo dos jovens carentes. Quem quiser pode ajudar com qualquer quantia ligando para o próprio Vanderlei Nunes Macedo, no telefone (41) 9118-7060
" Eu e meus garotos ficaríamos eternamente
gratos”.
Fonte: PORTOGENTE